JORNALISTA JORGE CASTRO

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POLÍTICA

 COLLOR, RENAN CALHEIROS, PAULO DUQUE, SÉRGIO CABRAL E JOSÉ SARNEY, OS POLÍTICOS BRASILEIROS UNIDOS CONTRA O POVO

     Fernando Collor mandou Pedro Simon engolir suas palavras e saiu em defesa de José Sarney. O mesmo José Sarney que ele, Collor, classificou de amoral durante a campanha de 1989. Como se não bastasse, seu opositor em Alagoas, pelo menos até pouco tempo atrás por tê-lo abandonado durante o processo de impeacheament, Renan Calheiros, hoje aparece ao lado de Collor cantando “atirei o pau no gato”.
Como é linda esta amizade oportunista. Os dois amiguinhos unidos em defesa de Sarney. Como é asquerosa esta cena digna de vômitos. Mamãe já dizia: “Diga-me com quem tu andas que te direi quem tu és, ou melhor, quem com porco se mistura, farelo come”.

      E ainda tem mais correndo solto no Senado Federal. Para quem não sabe, o senador Paulo Duque (PMDB) que assumiu a vaga de Sérgio Cabral (PMDB) no senado, não recebeu nenhum voto da população e mesmo assim, se sentiu no direito de dar pitaco. Foi eleito presidente da Comissão de Ética e arquivou os processos que questionavam os atos de Sarney, também do PMDB. Minhas gentes, nas próximas eleições, vamos prestar atenção nos suplentes de senador para que não tenhamos que engolir um sapo deste tamanho. Aliás, vamos prestar atenção em quem votaremos para todos os cargos: governador, presidente,deputado federal e estadual. Cuidado tem muita gente que aparece no carnaval de olho no seu voto.

Por enquanto é só, mas do jeito que a coisa anda escancarada não faltará assunto!

Jorge Castro

 

O LIVRO A FEIJOADA QUE DERRUBOU O GOVERNO, DE JOEL SILVEIRA, É UMA BELA PUBLICAÇÃO SOBRE OS BASTIDORES DA POLÍTICA BRASILEIRA

 

        Joel Silveira, autor do livro de reportagens “A feijoada que derrubou o governo”, retrata com um estilo irreverente, sutil e inteligente, acontecimentos da história do Brasil e do mundo. Seu estilo personalizado e sedutor nos transporta e sensibiliza como se fizéssemos parte do fato narrado. Os dezessete episódios descritos, separadamente, são de um valor incontestável. Ajuda-nos a compreender um pouco melhor o comportamento de alguns de nossos governantes. Suas ansiedades, necessidades e frustrações são muito claras, fazendo-nos refletir, enquanto cidadãos, o quanto o poder é complexo e entrelaçado aos interesses das chamadas elites. Com uma competência indiscutível aliada a sorte, o jornalista presenciou não só os fatos, como suas causas e conseqüências. Conduzindo-nos assim, a uma reflexão sobre quantas feijoadas além da de 1964, a qual originou o nome desta literatura da política brasileira, foram realizadas nos bastidores do poder.

          O início da série de reportagens é uma entrevista de 1943 com o ex-ministro da fazenda do governo de Wenceslau Brás (1914-1918). O homem todo-poderoso, responsável pelos recursos destinados à participação do Brasil na Primeira Guerra Mundial, após deixar o cargo, procura uma seguradora para realizar um empréstimo. Surpreso com o fato, o presidente da empresa, meses depois, o convida a fazer parte da diretoria. Este cidadão, Antonio Carlos de Andrada, tornou-se presidente de Minas Gerais, presidente da Câmara dos Deputados e foi um dos articuladores da Aliança Liberal que levou Getúlio Vargas ao poder em 1930.

          Também em 1943, Joel Silveira entrevistou João Neves da Fontoura, vice-presidente de Getúlio Vargas no governo do Rio Grande do Sul, peça fundamental, juntamente com Antonio Carlos de Andrada, na articulação da revolução de 1930. Homem de confiança de Getúlio, o substituiu em vários cargos políticos e foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras com o incentivo de Assis Chateaubriand.

          O conflito de ideais dos militares nos anos 30 é revelado nos relatos do tenente João Alberto. Amigo do capitão Luis Carlos Prestes, presenciou sua conversão às ideias do Maxismo, se tornando um contra-revolucionário. João Alberto participou do início da revolução de 1922 (contra Getulio Vargas) e mais tarde, em 1930, tornou-se seu aliado e adversário de Prestes.

          Em 1952, Orlando Leite Ribeiro, amigo de Prestes e Getúlio, relata ao jornalista algumas de suas histórias sobre as revoluções de 1922, 1924, 1926 e 1930. A morte de Siqueira Campos, sua briga com Oswaldo Aranha e os desagravos que sofreu por ser amigo de Prestes, também foram expostos.

          Os esquerdistas cariocas tinham o hábito de reunirem-se no final da tarde para conversar no bar Amarelinho, na Cinelândia. Em uma dessas tardes famosas de 1939, Joel Silveira, encontrava-se na mesa ao lado de um desses grupos. Víbora, como era conhecido, iniciou uma reportagem sobre a indignação e perplexidade que transtornava a todos: o pacto de não agressão entre Hitler e Stalin. A Alemanha nazista e a Rússia estavam do mesmo lado. A pergunta que ficara sem resposta naquela tarde, era a mesma que se repetiu durante muitas outras daquele ano.

          Pela primeira vez na história, embarcações brasileiras de transporte de passageiros sofreram ataques de submarinos. Era agosto de 1942, quando Hitler, ordenou o início da tragédia. Indignado, o povo brasileiro foi às ruas, exigir do governo Vargas a declaração de guerra às potências do Eixo – Alemanha e Itália.

          Voltando a 1939, o autor narra o clima de guerra civil na Espanha, quando o general Franco com a ajuda de Hitler domina a Catalunha e o Pais Basco estabelecendo a Espanha única. As dificuldades no front de batalha da Segunda Guerra Mundial foram retratadas pessoalmente por Joel Silveira como correspondente oficial da imprensa brasileira. Joel presenciou as tentativas de manipulação das notícias pelos representantes do governo de Vargas.

          Uma informação não divulgada na época da guerra foi a base desta matéria. O general Mascarenhas de Morais, comandante da Força Expedicionária Brasileira na Itália, desabafa com o seu amigo, também general, Cordeiro de Farias, sua vontade de renunciar e retornar ao Brasil.

          Em 1937, o autor vivencia e descreve a frustração de Plínio Salgado, mentor intelectual do movimento Integralista, com o golpe de Estado de Getúlio Vargas. O Congresso Nacional é fechado e todas as formas de manifestação popular são proibidas.

          A agonia e a inquietação de Getúlio Vargas, meses antes do seu suicídio em 1954, foram observadas pelo jornalista quando o presidente, apesar de ter autorizado sua ida ao Palácio do Catete, não se deixou entrevistar.

           Em uma reportagem emocionante, Joel Silveira descreve os sentimentos da relação fraterna entre João Goulart e Getúlio Vargas, desde a sua deposição em 1945 até o suicídio de Getúlio em 1954. Momentos históricos de tensão, reflexão, amizade e compaixão englobam este período de grande inquietação política e de conflitos de interesses.

          O secretário de Estado norte americano do governo Roosevelt visitou Getúlio Vargas em 1945 e pediu ao ditador do Estado Novo, com bases na Conferência de Yalta e por exigência de Stalin, que todos os países com governos baseados no regime nazi-facismo, fossem substituídos por modelos democráticos, onde os comunistas pudessem participar.

          Em 1977, o autor entrevistou Hermes de Lima, político que participou de vários governos ocupando cargos públicos diversos, foi presidente de partido, membro da Academia Brasileira de Letras, e como ministro do Exterior, em 1962, desenvolveu uma política externa de grande visibilidade do governo de João Goulart.

          Este, talvez seja o fato mais marcante desta série de documentos da literatura política brasileira, descrito neste livro. O jornalista, dias antes do golpe de 1964, havia participado de uma feijoada, cujos convidados eram: generais, ministros, assessores e amigos do governo de João Goulart. Todos estavam completamente tranquilos quanto a um dispositivo preparado previamente que seria colocado em prática no caso de um golpe de Estado. Qual não foi a surpresa de Joel Silveira, no dia primeiro de abril , quando ao amanhecer, o golpe militar havia se concretizado, sem resistência ou até mesmo o uso de armas.

          Finalizando esta obra literária, o jornalista, escritor e testemunha ocular da história, descreve os últimos dias de Juscelino Kubitschek, apontando a determinação e a vontade de viver de um político com seus direitos civis cassados, mas que nunca perdeu a esperança do desenvolvimento no cerrado brasileiro e de perspectivas melhores para o Brasil.

                                               Jorge Castro

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