JORNALISTA JORGE CASTRO

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RESENHAS, CRÔNICAS & ARTIGOS

 NELSON RODRIGUES-INÍCIO, MEIO E FIM

     Nelson Rodrigues, filho de Mário Rodrigues e Maria Esther Falcão, nasceu em 1912, no estado de Pernambuco.  Seu pai chegou ao Rio de Janeiro em 1915, deixando a mulher e os filhos no Recife. Tempos depois, retornou a Pernambuco e convencido pela mulher, voltou ao Rio de Janeiro, onde se consolidou como redator parlamentar do jornal “Correio da Manhã” por ter um grande engajamento político. Após um desentendimento com o diretor do jornal, Mário foi demitido, ao mesmo tempo em que sua esposa mandara uma carta avisando que havia vendido tudo que tinha no Recife e estava embarcando para o Rio com os seis filhos. Mário Rodrigues foi preso por incitação à revolta contra o governo de Artur Bernardes com a publicação do artigo “Dezoito do Forte” (uma referência ao artigo Cinco de julho de Humberto de Campos). Condenado, cumpriu pena de um ano e retornou ao Jornal da Manhã. Mas, com a aproximação do jornal com Epitácio Pessoa, seu inimigo e desafeto, pediu demissão. Desempregado, Mário foi acolhido pelo amigo Olegário Mariano – poeta, diplomata, deputado federal e constituinte – assim como sua família, sob a condição de arrumar rapidamente um novo emprego. Meses depois ele foi readmitido pelo Jornal da Manhã e conseguiu acomodá-los em uma casa nos arredores do bairro da Tijuca, onde Nelson Rodrigues começou seus primeiros passos rumo à dramaturgia.

      Aos oito anos, no segundo ano primário, Nelson Rodrigues escreveu uma redação sobre adultério, escandalizando a direção do colégio de classe média da Tijuca. Dos sete aos dez anos, Nelson observava muito a sua vizinhança. Bate-bocas, adúlteras, fofoqueiras, tias solteiras, homens suspeitos sexualmente, viúvas e roupas femininas muito curtas eram registrados na memória de Nelson Rodrigues. Em 1905, iniciou sua carreira promissora na primeira revista infanto-juvenil brasileira: a Tico-Tico – lida até mesmo por Rui Barbosa, do alto dos seus quase setenta anos, e citada na Tribuna do Senado brasileiro. Assim, Nelson começou a se interessar pela diversidade de temas da literatura, porém, os temas sobre sexo e morte sempre lhe eram mais atraentes. Em 1919, descobriu-se como um apaixonado torcedor do Fluminense.

     Em 1925, aos treze anos e meio, quando seu pai fundou o jornal “A manhã”, Nelson Rodrigues deu início a sua carreira de repórter policial. Sua especialidade eram os clássicos pactos de morte entre os jovens da época. O escritor abandonou seu esporte preferido, o futebol, para se entregar aos desejos da carne com as mulheres da vida. Nesta época, deu início uma guerra entre os jornais, “A manhã” e o “Jornal da Manhã”, de fazer inveja a quaisquer entreveros de políticos. Com ajuda de Washington Luis, então presidente da república, e do governador de Minas Gerais, Melo Viana, amigo de Mário e aliado de Washington, os Rodrigues tiveram tempos de abastada fartura e o jornal decolou com as publicidades oficiais.  Apesar de fazer do jornal uma máquina de imprimir dinheiro, Mário possuía pouca habilidade em gerenciar as contas e gastava demais. Com isso, perdeu o jornal para o seu sócio, Antonio Faustino Porto. Quarenta e nove dias depois de perder o jornal, lançou o que veio a ser, o seu maior sucesso: o jornal “Crítica”.

     Em 1926, aos quatorze anos, Nelson Rodrigues fundou, junto com seu primo do Recife, um tabloide de quatro folhas intitulado de “Alma Infantil” e rodado na gráfica do seu pai. Após o quinto número, Nelson resolveu se dedicar apenas aos artigos do jornal de seu pai. Sempre envolvido em paixões voláteis, seus pais o embarcaram para uma temporada no Recife. Sua determinação foi primordial para o início de uma carreira de sucessos, retornou alguns meses depois, assumindo animadamente a função de repórter esportivo em “Crítica”.

     No dia 26 de dezembro de 1929, uma fatídica matéria publicada em “Crítica”, foi o pivô da morte de Roberto Rodrigues, irmão de Nelson – tido como um homem atraente e bonito que despertava os corações das mulheres de um modo geral, um exímio desenhista, frequentador da Escola de Belas-Artes. A senhora Sylvia Thibau, jornalista e de boa família, casada com um médico de renome, estava tendo um caso com seu médico particular. “Crítica” publicou esta matéria, embora dona Sylvia tivesse implorado para que não a publicasse. No dia seguinte, ao ler esta matéria, a senhora procurou a redação do jornal. Não tendo encontrado Mário Rodrigues e Mario Filho, pediu para falar com Roberto Rodrigues. Após ter dito a frase: “Eu não pedi para que não publicasse?”, disparou um tiro à queima-roupa em Roberto, que se esvaiu em sangue. Três dias depois, Roberto morrera em consequência de falência múltipla de órgãos. A partir daí, iniciou-se uma campanha contra a assassina por parte do jornal “Crítica”. Do outro lado, Assis Chateaubriand, proprietário dos jornais associados e amigo de Sylvia, iniciou uma série de reportagens em sua defesa. A opinião pública e quase todos os jornais ficaram a seu favor. Mário Rodrigues não aguentou e, desgostosamente, entregou-se aos excessos, morrendo 67 dias após a morte de seu filho. Sylvia foi a julgamento e absolvida. Era 1930, início da revolução, deposição de Washington Luis e ascensão de Getúlio Vargas ao poder, Milton e Mario Filho – irmãos de Nelson – foram detidos e o jornal “Crítica” fechado.

    Em 1925, foi fundado por Irineu Marinho o jornal “O Globo” no lugar de “A Noite”. Com a morte de Irineu, Roberto Marinho assumiu o jornal e convidou seu colega de sinuca, Mário Filho, para ser o responsável pela parte de esportes. Ele não só assumiu como pediu para empregar seus irmãos. Algum tempo depois, Mario Filho, com a ajuda de Roberto Marinho, fundou seu próprio jornal: “Mundo Esportivo”. Apesar de não ter durado muito tempo, apenas oito meses, deixou sua marca ao promover o julgamento dos desfiles de escolas de samba. Mário Filho também reinventou o FLA-FLU e organizou campeonatos de torcidas, virando um folclore popular. Além disso, ele promoveu o evento esportivo do Circuito da Gávea e conseguiu inserí-lo no calendário esportivo do país. Tempos depois, tornou-se um dos proprietários do “Jornal dos Sports”.

     Em 1934, Nelson foi internado num sanatório para cuidar da tuberculose e escreveu sua primeira peça, cujos autos se perderam. Entre idas e vindas do sanatório, para se tratar da doença, se tornou cronista de “O Globo” e casou-se com Elza, a contragosto de seus pais. Em 1941, ele escreveu a peça “A mulher sem pecado” e começou a procurar os donos de teatro para encená-la – Procópio Ferreira, Dulcina de Moraes e Jaime Costa dominavam os palcos e suas gerências. Em 1942, por intermédio de seu irmão, Mário Filho, amigo do neto de Getulio Vargas, Nelson conseguiu encenar sua peça no Teatro Carlos Gomes com o apoio financeiro do Serviço Nacional de Teatro, órgão do Ministério da Educação. Entretanto, o público e a crítica não conseguiram ter um bom entendimento da peça. Logo depois, sua peça “Vestido de Noiva”, apresentada no Teatro Municipal sob a direção de Ziembinski foi um sucesso absoluto de público e crítica.

     Em 1944, Nelson iniciou o folhetim “Meu destino é pecar” com o pseudônimo de Suzana Flag no jornal de Assis Chateaubriand, outro sucesso absoluto de crítica e público. Um ano depois, voltou a ser internado, suas obras sofrem todos os tipos de censura e nasceu o seu primeiro filho, Nelsinho. Quatro anos depois, lançou a peça “Anjo negro”, onde os atores brancos eram pintados de negros, uma vez que os negros não podiam representar no palco.

     Em 1950, foi inaugurado o Maracanã. Mário Filho, no auge de sua carreira, criou os “Jogos da primavera”, sucesso absoluto durante muitos anos. Um ano depois, Samuel Wainer convidou Nelson para trabalhar no jornal “Última hora”, lançado com a ajuda de Juscelino Kubitscheck, então governador de Minas Gerais e Getulio Vargas, presidente da república. Paralelamente, ele estreou o monólogo “Valsa nº 6” e sua coluna diária “Ávida como ela é…”, tratando de crimes, paixões, velórios e adultérios. Suas fontes eram os fatos reais que aconteciam rotineiramente na cidade, tornando-se assim, o jornalista mais popular do país e inaugurando o estilo colunista de jornal. Carlos Lacerda, dono do jornal, “Tribuna da Imprensa”, acende uma campanha contra o jornal “Última Hora”, de Samuel Wainer, tendo como aliados Assis Chateaubriand e a TV Tupi. Ele atacava Nelson, chamando-o de comunista, a guerra política estava armada. Por outro lado, sua peça “Senhora dos Afogados”, censurada desde 1948, foi liberada.

     Em 1955, os Rodrigues ganharam o processo de indenização de “Crítica”, invadida e destruída no governo de Getúlio Vargas. Mário e Nelson fundaram a revista “Manchete Esportiva” de Adolf Bloch. Em 1957, Nelson atuou com ator em sua peça, ”Perdoa-me por me traíres”, causando uma confusão política com o vereador Wilson Leite Passos, aliado político de Carlos Lacerda. Irreverente, Nelson escreveu a peça “Viúva, porem honesta”, fazendo uma alusão aos críticos que condenaram seu trabalho anterior.

 Em 1958, Nelson escreveu as peças “Os sete gatinhos” e “Doroteia” encenada por Dercy Gonçalves que passou a se chamar “Vinde Ensaboar Vossos Pecados”. Mais uma vez, o dramaturgo passou por problemas de saúde, ficando entre a vida e a morte.

     Na década de 60, Nelson lançou “Asfalto Selvagem”, uma coluna diária sobre pequenas tragédias da personagem Engraçadinha e sua família. Desde sua origem no Espírito Santo, ate vinte anos depois no Rio de Janeiro e escreveu a peça “Boca de Ouro”, baseada em um motorista de ônibus que possuía 27 dentes de ouro e fazia questão de exibi-los.  O escritor ainda escreveu a peça “O Beijo no Asfalto” tendo como protagonistas Fernanda Montenegro e Fernando Torres. Realizou na TV Rio, a primeira mesa-redonda de futebol, logo após o jogo no Maracanã. Em 1965, Nelson voltou a passar por problemas financeiros, e foi convidado por Walter Clark para estrear o programa de entrevistas “A cabra vadia”, na TV Globo. Em 1967, Nelson fez as pazes com Carlos Lacerda e escreveu o livro “O casamento”, atendendo a um pedido dele. Mas Lacerda não teve coragem de publicá-lo em sua editora passando-o a outra. O livro foi recolhido pela ditadura militar. Devido às chuvas torrenciais que abalaram o Rio de Janeiro, a família do seu irmão Paulinho morreu soterrada, após o desabamento do prédio onde morava. Seu irmão, Mário Filho, consagrado como o maior jornalista esportivo de todos os tempos, faleceu de um ataque cardíaco e Célia, sua esposa, suicidou-se poucos meses depois. Em sua homenagem, o antigo Estádio Municipal do Maracanã ganhou o nome de  Estádio Mário Filho graças  à campanha  das organizações  de Roberto Marinho.

     Na década de 70, Nelson, a favor do regime militar, discutia com seus amigos de esquerda, defendendo as atitudes do governo. Ele possuía uma obsessão por atacar Dom Helder Câmara declarou ser antimarxista e contra a passeata dos cem mil. Por conta do destino, Nelsinho, seu filho, entrou para o MR-8, movimento contra o regime militar e pouco tempo depois, seu filho foi capturado e torturado. Neste período suas obras assumiram destaque no cinema brasileiro modificando o “Cinema Novo”.

     A partir de 1973 começou um período que culminou com sua morte. O escritor foi internado com um aneurisma da aorta, passando por duas cirurgias. Em 1977 foi internado com uma arritmia ventricular grave e nova insuficiência respiratória.  Em 1979, Nelson Rodrigues escreveu a que seria sua última peça: “A Serpente“. No fim da tarde do dia 21 de dezembro de 1980, um domingo, morreu Nelson Rodrigues. No mesmo mês, Ronaldo César Coelho fez uma última homenagem ao dramaturgo, poeta, gênio e jornalista interrompendo o jogo da Seleção Brasileira, em Cuiabá, Mato Grosso, contra a Suíça: “Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.” (Nelson Rodrigues).

CULTURA DE ALMANAQUE-CONHECIMENTO VIA ENTRETENIMENTO-RESENHA CRÍTICA

     Esta resenha crítica é elaborada a partir da leitura da monografia “Cultura de Almanaque – Conhecimento via entretenimento”, apresentada por Adrielle da Costa Calixto, candidata ao titulo de Bacharel em Comunicação Social, habilitação em jornalismo, pela Universidade Estadual de Ponta Grossa no Paraná e publicada no Caderno da Comunicação 22, Séries Estudos, elaborado pela Comunicação Social da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro na Imprensa da Cidade, em outubro de 2008.

     Adrielle da Costa Calixto propõe como objeto de pesquisa o ‘Almanaque Brasil de Cultura Popular’ por considerá-lo, uma forma de expressão, tradicional, da cultura popular brasileira. A autora decompõe o planejamento editorial e gráfico do almanaque, analisando-os separadamente, baseado-se na variedade dos fatos e dos espaços ocupados por eles no almanaque e os diferencia por tipos de editoria. Suas comparações e conclusões sucintas e ligeiras são obtidas por meio das concepções adquiridas pelos autores que contribuem com a sua de base de estudos.

     Para se entender melhor a proposta da comunicóloga é preciso entender que a palavra chave central do seu trabalho é: cultura.  O conjunto de conhecimentos adquiridos pela moral, fé e leis que os indivíduos são submetidos pelo Estado, assim como, pelos seus hábitos e costumes que são passados de geração em geração. Tais conceitos colaboram com o entendimento das variadas formas de entretenimento e lazer que são discorridas ao longo do livro, transformando-os em meios de informação de interesse público das diferentes classes sociais.

     A autora, em um dos preciosos momentos de esclarecimento do seu pensamento, aproxima seus conhecimentos às características da produção jornalística, ao reconhecer a autenticidade popular do almanaque, mesmo sem ter, pelo menos no passado, a pretensão do uso de técnicas especiais para despertar o interesse dos leitores pelas matérias e imagens. A aspirante à bacharel também deixa claro que os almanaques despertam sentimentos e emoções, a partir da amplitude dos fatos comuns do dia a dia. Ela ressalta a importância desse veículo no papel social da educação sanitária ao publicar a publicidade farmacêutica e destaca que o almanaque possui um apelo didático ao informar fatos históricos do país e acontecimentos factuais das cidades.

     Por outro lado, Adrielle da Costa Calixto se torna excessiva ao escrever sobre as características básicas do jornalismo, expondo, por exemplo, a periodicidade, difusão, universalidade e atualidade, dentre outras peculiaridades pertinentes à profissão em uma monografia de interesse específico de um grupo ligado à comunicação, que obviamente conhece com profundidade os elementos básicos do objetivo jornalístico. Suas referências às doze categorias propostas para análise são investigações que examinam as exposições dos conteúdos dos escritores que serviram de alicerce ao seu trabalho. Ao longo dos capítulos, é nítido o objetivo de expor suas ideias por meio de comparações dos pensamentos de autores mencionados.

     Entretanto, seu raciocínio se faz lógico ao afirmar que a incidência da prática jornalística sobre o campo cultural é uma consequência do aumento das publicações sobre ‘variedades’, e sua obra começa a ser parcialmente entendida, em virtude da explanação sobre o desenvolvimento das metodologias utilizadas como instrumento de pesquisa no jornalismo. Elas são baseadas nas teorias de outras áreas como a sociologia, a filosofia e a antropologia. Na verdade, a partir deste ponto, fica clara para o leitor, a relação do gênero ‘variedade’ com as características de uma produção jornalística, que é o objetivo do trabalho apresentado.

     Por certo, quando a autora afirma que o entretenimento e o lazer são editorias que só conseguem visibilidade e espaço físico nos jornais se oferecerem algum retorno financeiro, ela está, efetivamente, traduzindo o pensamento dos que apreciam escrever, ler ou ver, e procuram sociabilizar seus conteúdos latentes, ou seja, expressar as informações que estão nas entrelinhas das matérias de forma educativa ou informativa, simultaneamente, as suas percepções e sensações. Mas, a autora também afirma que é o próprio público que decide quais são as editorias que atendem suas expectativas de consumo.

     Certamente, a jornalista, além de possuir uma bagagem de conhecimentos adquirida ao longo dos anos, demonstra que é uma profunda conhecedora da língua portuguesa, facilmente percebido pelo discurso dialético e uso da linguagem culta. Logo na introdução, a autora deixa clara a expressão que representa o tema abordado no texto ao afirmar que: “O objeto empírico desta pesquisa é o Almanaque Brasil de Cultura Popular, que surgiu em abril de 1999”. Os períodos e parágrafos mantêm unidade temática com uma vasta quantidade de elementos de transição que caracterizam uma coesão gramatical. A organização dos textos acontece com alusões, epígrafes, citações textuais e paráfrases de textos das bibliografias pesquisadas. O desenvolvimento dos textos é efetuado com a técnica de confronto, causa e consequência entre as ideias dos autores citados.

     Ainda que, a autora tenha utilizado elementos de enriquecimento textual, aliados a uma linguagem carregada, a riqueza de informações e a uma demonstração de conhecimento e dominação do assunto proposto, a obra não revela com clareza os conceitos da escritora. Ela apresenta uma postura inerte diante de determinadas exposições, alterada com momentos de euforia, diante de outras. Vale lembrar que a subjetividade acompanha cada ser humano e é o que determina o critério de avaliações sobre a escolha do que o indivíduo pretende assimilar ao escolher uma determinada matéria para ler em um veículo de comunicação. As matérias demonstram e despertam emoções e reações nos leitores, razão pela qual, a autora deveria se manifestar nas suas considerações finais, uma vez que, estes conceitos advêm dos estudos das áreas citadas por ela, como base das metodologias de pesquisa usadas no jornalismo.

Jorge Castro

    

O COTIDIANO SOB A ÓTICA DO EU PRIMEIRO E DO EU POSSO

     Passando pelo centro do Rio, comecei a observar os telefones públicos. Aliás, eles não podem ter esta denominação e sugiro que comecemos a chamá-los de phonesdoor. Só fica sem fazer sexo quem quer, frente à quantidade de publicidade de meninas e meninos de programa, e o que é melhor, você já sabe previamente o tamanho e a largura de tudo, é fantástico! Os vereadores do Rio deveriam aproveitar o ócio, causado pela devolução dos carros de R$ 70.000,00 e desenvolverem uma lei que punisse quem faz este tipo de publicidade. Achar o infrator não daria trabalho algum, afinal todos colocam o seu número de contato e se serve de estímulo para os vereadores, ainda poderiam conferir as medidas dos anunciantes.

     Você deve estar pensando que atitudes como estas só acontecem nas camadas mais pobres, onde as pessoas não têm cultura ou estudo – está errado. Muitos intelectuais também agem de maneira tortuosa e até mesmo com desvio de caráter e conduta. Me recordo do caso de uma professora universitária, a fodona, que estudou numa das melhores faculdades de comunicação da cidade. A moderna, a simpática pós século XXI. Após a apresentação de um trabalho de conclusão de curso, a que deveria ser ética e profissional, foi portadora de uma das cenas mais grotescas do mundo acadêmico. Tentou levar seus comentários para o pessoal, iniciando uma série de críticas pessoais ao comportamento do aluno, ao invés de tecer comentários sobre a obra que estava sendo avaliada. Ainda no mundo acadêmico, temos o caso de uma professora que se senta na  mesa, saboreando uma Coca-Cola em lata e tem a cara de pau de se dirigir a um aluno chamando-o de mal educado por estar conversando com o colega. O fim da picada na área educacional foi o ato de uma vice-diretora que ao perceber uma constante brincadeira entre dois meninos de onze anos saiu com essa: “Você gosta de meninas ou meninos?”.

      Vamos para os coletivos. Você está esperando na fila para embarcar no próximo ônibus – aliás, você é o primeiro – ele chega e antes que você possa colocar o pé no primeiro degrau, aparece um grupinho de universitários e passa a sua frente numa naturalidade espantosa. Uma outra ação muito comum acontece quando você está há 50 minutos aguardando no ponto final, numa fila monstruosa. O ônibus chega, o motorista e o trocador se dirigem a cabine do despachante e avisam: “Quem tiver o cartão pode ir subindo para adiantar”. Conclusão da história e início de confusão: o otário, primeiro da fila, que vai pagar com dinheiro é um dos últimos a embarcar e detalhe, viaja em pé.

     Passando pelo comércio observei que muitos gerentes e donos de estabelecimento só prestam atenção no dinheiro que está em sua mão, nem olham para o seu rosto. Experimente dar um bom dia, boa tarde ou boa noite, eles não entendem nada e ainda fazem aquele habitual gesto facial como se estivessem perguntando o que você vai querer e quando finalizam o atendimento, jogam o troco em cima do balcão.

     Depois de anos longe dos shoppings, resolvi comprar umas roupas. Os vendedores, cada vez mais jovens, te assediam até quando você está parado em frente à vitrine. Eles chegam com tanta voracidade que consomem todo o oxigênio à nossa volta. No interior da loja, basta você parar em frente a um determinado modelo e eles disparam: o valor, forma de pagamento, e ainda apresentam modelos similares mais baratos. Tudo isso seria normal se o cliente tivesse perguntado, o que não é o caso. Agora, péssimo mesmo é quando o cliente se dirige a um vendedor – eu, por exemplo, costumo escolher quem vai me atender, afinal, quem está comprando sou eu, e tenho o direito de escolher com quem me sinto à vontade. Entretanto, a vez não é dele e para respeitar o colega, te passa um atestado de lesado, empurrando você para ele como se você não fosse percebesse.

     Não poderia deixar de falar do um centavo. Você já fez a conta de quantos centavos ficam nos caixas?  Os caixas simplesmente ficam com ele sem sequer comunicar aos clientes, virou um hábito nacional. E ai de você se perguntar! – Todos te olham como se você fosse um criminoso, entretanto, ficar com o dinheiro dos outros, sem consentimento, é que é constrangedor.

     Ainda temos os gatos do vizinho que tem relações sexuais no nosso telhado, sempre de madrugada, os sacos de lixos que são colocados nas calçadas fora do horário, a criança que joga o papel do picolé no chão e a mãe acha graça – que vontade de abaixar a cabeça da mãe e fazê-la apanhar o lixo com a boca.  Temos também os camaradinhas que te chamam de tio para pedir dinheiro, ou melhor, pedir comida, ou melhor, pedir cigarro, ou melhor, pedir não interessa o que, vale até carona na sombra. A lista é interminável e já estou desanimado para sair de casa. Boa sorte, paciência e Maracujina pra todos.

Jorge Castro

RELAÇÕES DO PODER COM A ESFERA PÚBLICA, OPINIÃO PÚBLICA E A IMPRENSA

     Para a burguesia, a liberdade da vontade e a capacidade do uso público da razão não poderiam estar vinculadas ao critério da propriedade e sim ao uso do raciocínio público, um processo de entendimentos que acontecia com a demonstração de argumentos opostos, sujeitos às críticas e defesas por parte dos seus interlocutores em debates assistidos por um público que buscava a comprovação das teses levantadas, era o exercício do poder. O uso do argumento seria uma forma de transformar a autoridade e o poder que não estavam legitimados. Ou seja, além de discutirem uma participação maior no poder do Estado, os burgueses almejavam que as discussões, baseadas na racionalidade, tivessem um acordo capaz de modificar o direcionamento do poder e o seu comando. O que conhecemos como opinião pública é o consenso obtido livremente sobre um determinado assunto, discutido com argumentos, objetivando a formulação de teses racionais que se utilizam de todas as formas de comunicação para expressar a vontade de um público na defesa do bem comum.

     Entretanto, para que o discurso argumentativo da esfera pública chegue à opinião pública é necessário um veículo interlocutor: a imprensa, com seu papel de transmissora de informações aos indivíduos da sociedade, e principalmente, defensora da legitimidade quando não há meios de censura. A imprensa possui a função de advogada da classe burguesa, em consequência da sua capacidade de reunir um público para receber suas críticas, opiniões e declarações.

      O entrelace destes três elementos, esfera pública, imprensa e opinião pública são imprescindíveis para o fortalecimento do debate público e a formação da opinião pública, havendo assim, o predomínio do equilíbrio racional nas exposições dos argumentos, de acordo com Harbemas. (GOMES, 1998).

      Hoje, de acordo com o autor, com as transformações das discussões econômicas em políticas e a inexistência da participação dos desfavorecidos no debate público, a esfera pública perde a sua vocação inicial de estabelecer o equilíbrio entre a importância econômica e o papel político-social dos cidadãos, deixando de exercer o poder em sua plenitude. Para Habermas (apud Wilson Gomes), o que existe é uma “pseudo-esfera pública, encenada, fictícia, cuja característica maior parece consistir em ser dominada pela comunicação e cultura de massa”,(GOMES, 1998:162).  Wilson Gomes afirma que entra em crise a autoridade racional predominante nos debates que legitimam as questões que colocavam o interesse comum acima do privado e a proporção das discussões nas estruturas do Estado e da sociedade.

     Apesar dos mecanismos existentes na democracia moderna serem oriundos do conceito de esfera pública burguesa, a essência das suas estruturas sofreu degradações quando alteradas. E ainda para Habermas, a sequência dessas mudanças desestruturou o conceito original de esfera pública.

     Segundo Wilson Gomes, a relação da imprensa com a esfera pública é muito interligada, na medida em que há uma mudança na estrutura da esfera pública, o mesmo ocorre com a imprensa que sempre atuou como interlocutora de um público que discutia ações de interesse comum com a razão. Hoje, a imprensa se tornou um meio de divulgação de assuntos pré-definidos e pré-discutidos. Perdeu sua qualificação de debatedora, passando a função de divulgadora que aciona o público para opinar sobre assuntos previamente deliberados. O que se gostaria que fosse debatido com a opinião pública para o exercício do poder de escolha do melhor argumento, transformou-se em opiniões pré-estabelecidas que aguardam a adesão dos membros da sociedade.

     Os novos meios e recursos da comunicação de massa ocupam, nesse quadro de referências, um lugar decisivo. No modelo liberal, a imprensa, o mais antigo sistema de comunicação de massa, era considerada um instrumento privilegiado da esfera pública. De fato, o seu destino esteve historicamente ligado ao da esfera pública de forma muito estreita. Não é de se surpreender, portanto que a mudança estrutural da esfera pública esteja profundamente vinculada à mudança do papel da imprensa, e da comunicação em geral, em face desta esfera. (GOMES, 1998:164).

Jorge Castro

ATUAÇÕES DO JORNALISTA E O PAPEL DO JORNALISMO

         Guardadas as devidas proporções da importância de todos os artigos dispostos no código, dois são a base de discussão do papel da imprensa nas democracias modernas. O primeiro é o artigo referente ao Capítulo I – Do direito à informação: “Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação”, e o segundo, é do Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista:

Art. 7º O jornalista não pode:

VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;

O jornalista Ali Kamel[2], por meio do artigo publicado no Jornal O Globo, em 23 de janeiro de 2007, permeia por estes princípios éticos. O autor questiona o papel do jornalismo como campo de batalha ou forma de conhecimento da realidade diante dos editoriais e notícias tendenciosas no período eleitoral de 2006, no Brasil, onde vários grupos, de esquerda e de direita, tentavam impor suas convicções expondo o jornalismo como uma ferramenta a serviço das ideologias. Neste caso, para Kamel, as informações seriam passadas de acordo com o interesse dos seus produtores ou dos seus patrões e os defensores dessa tese colocam a verdade dos fatos como algo inalcançável, sem valor, onde a objetividade dá lugar aos interesses próprios e o público teria conhecimento da posição política e social de cada produtor de informação, cabendo a ele decidir se acompanha a linha editorial de cada empresa jornalística. Kamel ainda afirma que se fosse dessa forma, o jornalismo seria simplesmente uma publicidade, uma divulgação de um ponto de vista único. Não haveria fatos e sim relatos, e a sociedade e a imprensa se afundariam, cairiam em total ignorância.

Ao contrário do discorrido anteriormente, o autor define o jornalismo como um captador e difusor da realidade seguindo os métodos próprios de cada empresa onde a análise e o relato dos fatos é realizado com fidelidade. De acordo com Kamel, os jornalistas são treinados e preparados para selecionar as notícias que são de interesse público e mostrá-las com isenção, o que é feito quando há divulgação dos diversos pontos de vistas sobre um determinado assunto não havendo contaminação do noticiário, ao contrário dos editoriais que refletem as opiniões próprias dos seus escritores. Entretanto, cabe observar que como toda obra humana, também pode ter falhas, e quando isto ocorrer, o erro deve ser imediatamente corrigido.

O autor do artigo pondera que a imprensa cumpre o seu papel, citando os assuntos pautados nos principais jornais do mundo e concorrentes entre si. As pautas ou assuntos abordados são quase sempre os mesmos. Este fato comum a todos só é possível graças à capacidade do jornalista de sobrepor as necessidades da sociedade aos interesses próprios, o que não deve ser entendido como falta de criatividade, e sim, como profissionalismo.

Sim, se nem a ciência consegue alcançar a verdade e a objetividade total, como o jornalismo faria essa mágica? Não faz. Como a ciência, o jornalismo é uma aproximação da realidade, mas a melhor que se pode obter naquele instante com o instrumental disponível. É certo que um episódio — o apagão aéreo, por exemplo – daqui a 50 anos vai ser contado e analisado por historiadores com acesso a um material que os jornalistas não conhecem hoje: documentos secretos, atas de reuniões, depoimento dos envolvidos dado muito tempo depois. Daí emergirá um relato mais acurado do que o que os jornais conseguem fazer hoje. (KAMEL, 2007:7).

Para Nelson Traquina (2004) é impossível pensar em responder o que é jornalismo de uma forma reducionista em uma frase ou em um livro. O autor refere-se poeticamente ao jornalismo como o relato da própria vida e suas diversas etapas, complementando que após uma passagem pelos jornais, percebe-se que a vida é dividida em várias seções que relatam fatos sobre a dinâmica diária mundial e a compara às notícias: “Um exame da maioria dos livros e manuais sobre o jornalismo define as notícias em última análise como tudo o que é importante e/ou interessante. Isto inclui praticamente a vida, o mundo e o outer limits”, (TRAQUINA, 2004:19). O escritor ainda descreve que existe um acordo no campo imaginário entre os profissionais e o público, quanto à veracidade das notícias, onde não há espaço para os maus profissionais, estes são repudiados, e se refere à falta de tempo como um obstáculo na apuração de uma notícia que deve ser conferida antes da sua divulgação.

Quanto à função de jornalista, Traquina avalia que ele é um contador de estórias que estão sempre sendo recontadas ao longo dos anos, com personagens que se alteram entre o bem e o mal, e, as notícias são as narrativas dessas estórias que solidificam e caracterizam modelos de indivíduos. Para o autor, esta profissão talvez seja uma das mais difíceis de ser desempenhada devido à importância do seu papel social e afirma que esta atividade é criativa apesar das dificuldades que a cercam.

 Basta um olhar distraído aos diversos produtos jornalísticos para confirmar que é uma atividade criativa, plenamente demonstrada, de forma periódica, pela invenção de novas palavras e pela construção do mundo em notícias, embora seja uma criatividade restringida pela tirania do tempo, dos formatos, e das hierarquias superiores, possivelmente do próprio dono da empresa. E os jornalistas não são apenas trabalhadores contratados, mas membros de uma comunidade profissional que há mais de 150 anos de luta está empenhada na sua profissionalização com o objetivo de conquistar maior independência e um melhor estatuto social. (TRAQUINA, 2004:22).

[1] Disponível em

http://www.fenaj.org.br/cometica.php. Acesso em: 11/11/2010.

[2] Disponível em

http://www.alikamel.com.br/upload/data/2007.01.23.pdf. Acesso em: 06/09/2010.

Jorge Castro

  

       A CÂMARA CLARA-ROLAND BARTHES

            O autor, Roland Barthes, inicia a obra revelando como descobriu o seu interesse pelas fotografias e as caracteriza como registros visuais dos objetos e seres, como eles verdadeiramente os são. Embora, possam ser modificadas profissionalmente por um agente externo, o fotógrafo, elas sempre remeterão, de forma estática, o sentido analógico de um estado de sentimentos.

          Por meio das figuras de linguagem, principalmente as metáforas, Roland Barthes, posiciona-se como uma alternativa na exposição do sentido universal da fotografia. Suas referências às publicações didáticas especializadas são criticas contundentes aos conteúdos e análises que, segundo seu ponto de vista, são incapazes de retratá-las dentro de um ponto de equilíbrio entre a interferência humana e a mecânica.

          Em sua crescente dualidade narrativa, o autor associa o objeto inanimado ou a pessoa, alvo a ser fotografado, a seres mortos. Ressalta que o fotógrafo deve intuir, aplicando os seus sentidos no momento do registro da imagem para não transformar uma fotografia em um registro mórbido. Barthes também descreve que uma imagem pode ser modificada quando preparada profissionalmente, não remetendo, a quem a assiste, sua verdadeira natureza e características. Ou, pode enviar mensagens verdadeiras quando são capturadas sem interferências técnicas e humanas.

          De acordo com Roland, a subjetividade que acompanha cada ser humano é o que determina o critério de avaliações sobre os autores fotográficos e suas obras. Ele exemplifica com a sua postura inerte, diante de algumas imagens e euforia, outras riquezas de informações em uma imagem capturada.

          A surpresa do inesperado, quando se registra uma imagem de faces humanas sem preparação prévia, tanto do fotografo quanto do fotografado, desvendam e revelam particularidades vividas pelos indivíduos, em suas sociedades e em seu contexto histórico universal. As fotos demonstram e despertam desejos e sentidos, segundo Roland.

          Uma foto pode transformar a realidade sem modificá-la, o que conduz o autor a mudança da óptica de análise da obra. São os registros complementares capturados além do foco do fotógrafo. Roland abstém-se das informações gerais transmitidas pela fotografia e narra os pequenos detalhes, demonstrados pela imagem, que fazem parte da subjetividade plena alcançada ao se fechar os olhos.

          A foto, ao contrario do cinema, não vai além do enquadramento. O ângulo de visão é previamente restrito e definido. Ela não consegue atingir os mesmos objetivos das lembranças guardadas na mente. Para entender uma fotografia é preciso ultrapassar a sua própria subjetividade.

          O autor coloca em questão os conceitos de real e vivo, expondo que eles não caminham necessariamente juntos em uma fotografia. Acrescenta ainda, que quando o captador da imagem não faz parte da sua historia, não vive aquele momento explicitamente, ele retrata com mais qualidade as emoções que a foto reverte.

          Por fim, Roland Barthes define o conceito de consumo das fotografias pelas sociedades modernas como: sensato, com um realismo relativo, transmitindo informações práticas e estéticas, ou, louco, com um realismo absoluto, transmitindo mensagens visuais que remetem ao ser humano sensações, emoções e lembranças temporais.

Jorge Castro

O QUARTO ICONOCLASMO

    

     O segundo ciclo iconoclasmo ocorre no Império Bizantino com as perseguições e execuções dos seguidores da iconofilia e iconolatria provocando um verdadeiro e comprovado caos no antigo Império Romano.

     Com a reforma protestante do século XVI, instala-se o terceiro ciclo iconoclasmo.  Os adeptos à adoração de imagens são perseguidos e execrados.  O comportamento da igreja católica com relação às imagens é muito dúbio.  Ao mesmo tempo em que pregoa, teoricamente, o iconoclasmo, na prática, permite o culto às imagens com certa tolerância.

     Atualmente, existe uma retórica ao iconoclasmo baseada no uso demasiado da televisão.  Esta principal fonte difusora de mensagens, por meio das imagens, é a grande comunicadora das massas e sem dúvida, responsável pela diminuição do interesse da leitura generalizada.  Esta invasão cotidiana nos torna submissos aos conceitos econômico-sociais deflagrados pelos grupos dominantes e difundidos pelas imagens.

     Por outro lado, o dinamismo, a velocidade e a interação temporal do computador facilitam o acesso à informação e, consequentemente, à leitura, à língua e à escrita, contrabalançando as possíveis perdas causadas pelo uso excessivo da televisão.  A telinha não pode ser vista como uma vilã da sociedade.  Em muitos momentos marcantes e decisivos da história, seu papel torna-se imprescindível.  Suas imagens substituem quaisquer vocábulos e emudecem uma sociedade.  A hegemonia da palavra oralizada é visivelmente marcante quando se observa que na maioria das vezes, os aparelhos televisivos ficam ligados enquanto o telespectador realiza outras tarefas ao mesmo tempo, não havendo, portanto, uma sintonia com as imagens.  Analisando ainda, sob o aspecto econômico e cultural dos povos subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, a acessibilidade aos meios de comunicação orais e escritos é muito mais ampla, tornando-se a base das variadas formas de expressão do mundo, mesmo nos locais mais carentes e desprovidos de estruturas elementares de sobrevivência.

      Hoje, em pleno século XXI podemos afirmar que cientistas, médicos, químicos, matemáticos, botânicos, entre outros, desenvolveram e ainda desenvolvem estudos baseados na imagem do pensamento.  A investigação científica é um trabalho iconográfico de resultados sem precedentes à evolução da civilização humana.  Os períodos do iconoclasmo podem ter tido os seus momentos históricos ascendentes e de glória, mas na atualidade, renegar a importância da imagem no desenvolvimento e bem estar da humanidade seria uma tolice, um despropósito.

Jorge Castro

REDES SOCIAIS E A PRIVACIDADE 

     O especial, redes sociais, apresentado pela edição nº 628, em maio de 2010, pela revista Época, traz para o leitor uma discussão baseada em depoimentos de usuários dessas redes e especialistas sobre o assunto que discorrem o limite de privacidade, tanto dos próprios usuários quanto das empresas que administram estes grupos.

     A reportagem contextualiza com números, o poder de comunicação destes grupos no mundo. Segundo a revista, uma em cada sete pessoas no planeta frequenta as redes sociais da internet, chegando ao número de 1 bilhão de pessoas que se encontram para falar sobre todos os assuntos possíveis, que vão de uma postagem sobre como o indivíduo acordou naquele dia, até a revelação dos mais íntimos desejos e sonhos. Divulgando assim, informações que podem ser lidas por todos, inclusive, pelas grandes empresas interessadas no perfil dos usuários que podem ser clientes em potencial de seus negócios.

     Os jornalistas Alexandre Mansur, Camila Guimarães, Bruno Ferrari, Paulo Nogueira e Fabiana Monte, responsáveis pela reportagem, colocam no meio da discussão o equilíbrio que o usuário deve ter ao compartilhar informações tão pessoais com amigos ou desconhecidos, e também, qual é o grau de responsabilidade dos administradores de redes, diante de informações tão pessoais. Na verdade, há um questionamento ético e moral das ações de todos.

     Ao longo da matéria, há apresentação de empresas que tornaram as redes sociais suas aliadas na divulgação de seus serviços e produtos, permitindo que os funcionários tenham acesso a uma rede interna. Entretanto, esta liberalização pode trazer alguns problemas, à medida que as questões internas passam a ser de conhecimento geral. Para que não ocorram constrangimentos como esse, há um monitoramento e diálogo constante com os empregados.

     A matéria propicia, ainda, uma reflexão sobre a necessidade atual dos cidadãos de estar conectados ciberneticamente, diante da evolução do mundo globalizado. De acordo com os depoimentos de personalidades conhecidas pelo público, à revista, quem coloca o limite de ação do meio cibernético é o próprio usuário. Ele pode se manter atualizado, selecionando as fontes seguindo critérios de confiabilidade e limitando informações que podem avançar sobre sua privacidade. Após a leitura de vários depoimentos e entrevistas, a reportagem não classifica o ambiente virtual como melhor ou pior do que os outros avanços tecnológicos. Ele é apresentado como um cenário que propicia aos usuários o que ele deseja. Também é transparente a formação de duas correntes opostas sobre o uso e poder das redes sociais na internet, deixando para o leitor, as conclusões sobre como conseguir um ponto de equilíbrio para que ele não se torne refém do que ele próprio pensa e escreve.

Jorge Castro

 

 BRASIL EU TE AMO

 

     Copa do Mundo! O Brasil está vestido de verde e amarelo e a população não tem o que vestir. Aliás, não tem o que comer, não tem hospitais, não tem creches, não tem salários dignos, não tem nada, além de esperanças depositadas em 11 jogadores de futebol correndo atrás de uma bola e um arrogante, pretensioso, intolerante e despreparado técnico e ser humano. Estes ídolos, que em sua maioria não possui curso superior como a maioria da população brasileira, ganham milhões, milhões e milhões, ao contrário dos seus milhões e milhões de fãs.

     Desde a abertura oficial do evento, o país pára para o país que não pára pra saber sobre os rumos da política nacional. Jornais, telejornais, sites de relacionamento, casas de prostituição, câmaras municipais e redutos gays, por razões óbvias, discutem sobre: Argentina e as roupas cafonas do Maradona, os escândalos da seleção francesa, a jornalista, namorada do goleiro inglês, as entrevistas do Dunga, e as pernas e abdomens dos jogadores. Tem até pesquisa para escolher os mais feios. E eu pergunto: caro leitor, em quem você vai votar? Já escolheu seus candidatos? Muitos vão responder que não é hora para isso, afinal é Copa do Mundo. Outros vão responder que não gostam de política. Para estes, todos os políticos são iguais, ou seja: não valem nada.

     Na verdade, o grandioso espetáculo de muitos patrocinadores que chegam a determinar quem é convocado ou não, é, apenas, mais uma etapa do que acontece no nosso país, ao longo do ano: muitas partidas de futebol que se realizam nas noites de quartas e nas tardes dos finais de semana.  Até os que se dizem intelectuais, àqueles que se colocam acima de todos e de tudo e discutem política e pobreza nas tardes dos domingos de verão, nos bares da Farme de Amoedo, trocam seus compromissos de trabalho para assistirem às partidinhas. Cidadãos que pregam a solidariedade e o socialismo, mas nunca foram visitar a pobreza dos guetos cariocas que ficam fora dos holofotes midiáticos e das maquiagens realizadas para filmes, novelas e comerciais rodados nas comunidades pacificadas da cidade. Também tem os motoristas dos vereadores que  assistem aos  jogos nos bares em frente à Câmara que,  entre um gole e outro de cachaça, mel e cerveja, despejam a sujeirada dos seus senhores – se quiserem saber o que acontece nos bastidores da política é só parar pra tomar um cafezinho  nas proximidades do ilustre recinto.

     Além disso, tenho a curiosidade de saber o que pensam os médicos, policiais e, principalmente, os professores que são o alicerce da sociedade – me refiro aos preparados e não àqueles que exercem outra profissão e complementam suas rendas em salas de aula e faltam quando o emprego principal exige um prolongamento do horário – sobre a roda da fortuna que gira em torno dos jogadores? – deve ser desanimador!  Entretanto, os assalariados, que acordam às 5 da manhã e ficam à indisposição do metrô e da Supervia, idolatram estes homens e suas apresentações. Imaginem como será em 2014? Trânsito caótico, falta de hospitais – o do Fundão já está caindo – escolas, planos de saúde, salários suficientes para comer o essencial, políticos corruptos que não vão para cadeia e ainda: os assassinos, traficantes, Georginas do INSS e juízes Nicolaus de sempre. Povo feliz, feliz!

     O Rio de Janeiro, cidade sede das Olimpíadas de 2016 e palco da final da próxima Copa é o cartão de visitas do país. Viver aqui é um privilegio: a cidade mais linda do mundo aos pés do Cristo Redentor. É claro que, quando todos dizem isso, não estão se referindo as ruas esburacadas dos subúrbios, aos assaltos e mortes nos sinais luminosos, aos mendigos que ficam empilhados na Avenida Rio Branco e Presidente Vargas de madrugada e aos que vivem em barracos por baixo dos viadutos. Os vários Rios que não são conhecidos ou não querem conhecer, está aí, aguardando, ansiosamente, o próximo jogo, o próximo contratado do time do coração e a próxima Copa: Brasil hexa de novo ou hepta!

     Os que adoram futebol devem estar me odiando, é natural. A ideia é essa. Não só despertar este sentimento como também a autoestima, o desejo de mudança e acabar com o complexo de vira-latas em todos os segmentos da sociedade brasileira. Este desabafo é um relatório de situações, as quais gostaria que fossem discutidas com a mesma intensidade com que se discute o futebol, no país que se diz rico por natureza, todavia, não possui uma justa redistribuição de renda. Se continuarmos somando forças para construir um Brasil de todos, nossos filhos, netos e bisnetos continuarão como coadjuvantes nesta construção permanente do futuro brasileiro. A repetição é monótona nas mudanças de governo. Saí cheque-cidadão, cheque-leite, restaurante popular e assessores que fazem a campanha dos políticos nas ruas e entra em cena  UPP, UPA, IPCA, IPCdoB, IPFDP e novos assessores que fazem a campanha dos políticos nas ruas. No jogo pelo poder, todos se ajudam para alcançá-lo, e, quando querem se perpetuar nele, viram inimigos mortais, com direito a denuncias de corrupção, prevaricação, cassações e ligações, durante a madrugada, para os eleitores.

     Chega! Quero um país com tudo funcionando bem, um país que eu tenha orgulho de ouvir o Hino Nacional cada vez que um trabalhador puder concretizar seus sonhos e não suas ilusões.

                                                                                                                                                                                                                     Jorge Castro

CRÔNICA

AINDA VOU FAZER UM    

     Mas como diz o ditado popular “Um dia a casa cai”, naquele carnaval de 1988 o prédio desabou durante a transmissão do desfile da Vila Isabel – foi uma verdadeira Kizomba. Era quase uma hora da manhã quando o porteiro interfonou, muito sem jeito, e disse:

– Dona Antônia, tem uma moça aqui em baixo querendo falar com o seu Perfeito.

Minha bisa, irritada por parar de assistir ao desfile da sua escola preferida, e também pelo avanço da hora, respondeu, rispidamente, já desligando o interfone:

-Isso não são horas de gente decente fazer visita, não quero nem saber quem é.

Seu José, o porteiro muito curioso, sabedor da vida de todos no prédio e doido pra ver o circo pegar fogo, ligou de novo:

-É melhor a senhora atender, a dona aqui tá dizendo que é a esposa do seu Perfeito. O que eu faço?

DonaAntônia, rápida no gatilho respondeu:

– Ah, então a esposa do meu marido está aí! Manda ela subir que a amante dele vai atender.

Seu Perfeito, que estava no quarto tirando um cochilo, pois sua escola predileta já havia passado, a Mangueira, acordou assustado com o toque da campainha e saiu em direção à porta para atender. O que não foi preciso pois dona Antônia já estava com a mão na maçaneta:

– Pois não, quer dizer que você é a mulher deste desclassificado. Me desculpe por atrapalhar a vida de vocês durante tanto tempo, mais eu sou amante dele há 52 anos.

Nem meu bisa e nem a jovem de curvas perfeitas, aparentando uns 28 anos, entenderam nada. Após alguns segundos de silêncio, a moça, que carregava no colo uma criança recém nascida se apresentou:

-Eu sou Jussara, lá da Praça da Bandeira, do inferninho do Ramiro Gordo e este aqui é o filho do Perfeito.

Neste momento, meu bisavô teve uma síncope e caiu durinho no chão. Mas não sem antes dizer suas últimas palavras:

-Eu consegui, eu consegui.

Jorge Castro

PROCESSO DE CRIAÇÃO

     Uma oportunidade única como esta tem que estar aliada à construção de ideias que originem uma grande história. Mas o que criar, frente a uma folha em branco, tantas vezes aliada, outras, inimiga? No carnaval tudo se encaixa, desde a fauna e a flora aos orixás de outrora. Pensando bem, posso juntar os dois e homenagear a África.

     Entretanto, para fazer o diferencial não basta entender de história ou contar didática ou cronologicamente os acontecimentos.  Alguns elementos tornaram-se essenciais para alcançar o pódio ou sair como campeão moral, eleito pelo público e os que se dizem entendidos de carnaval. A surpresa, o impacto, as coreografias e, principalmente, a forma de apresentação podem levar a passarela à loucura ou ao tédio geral. Daí, ser reconhecido pela mídia e quem sabe, participar do tão sonhado Grupo Especial ou entrar no esquecimento do carnaval por apenas um erro, sem levar em consideração outros trabalhos – esta é uma das injustiças sofridas por vários competentes talentos. Mas, voltando para o ato da criação, o autor olhava fixamente para a folha de papel e perguntava:

     -Por onde começar?

     – Pense que você é capaz de fragmentar situações globais e remontá-las com novos personagens

    – Respondeu a folha.

    – Quem eu?

    – Perguntei assustado.

    – Sim, transforme seus pensamentos em falas silenciosas e pegue o meu companheiro, o lápis, para preencher-me e ajudar-te a cumprir seu papel: registrar as percepções do mundo ao seu redor e criar, criar! Sem a preocupação do julgamento. A obra é sua, a criação é sua. Todos estamos sendo julgados a todo instante, não vai ser diferente com você.

Jorge Castro

 

TRAÍDO PELO SENTIMENTO

     Num dia, era o vendedor de giletes com recortes de figuras geométricas espalhadas no seu terno preto. No outro, um vendedor de balas fantasiado de palhaço com uma disposição para falar de fazer inveja ao Silvio Santos. Seu discurso preferido era:

      – Ve você não quiser comprar, tudo bem! Mas quero que saiba: eu poderia estar roubando ou matando, e ao contrario, estou tentando ganhar a vida honestamente.

Repetindo várias vezes, alternando com ações circenses para chamar a atenção.Júlio, o mais cara de pau, nos falava:

      -Vê se pode! Temos a obrigação de comprar alguma coisa para evitar que ele se torne um criminoso.

Carlos, o mais político, ponderava:

     – Não é bem assim. Precisamos ajudar o próximo. Não sabemos o dia de amanhã.

Tiago, digamos…o mais franco e consequentemente antipático, respondia:

      – Tá com pena? Leva ele pra casa. Na semana passada quando você faltou para ir ao cinema, ele foi pego pela Policia Ferroviária vendendo drogas para uma menina, aparentemente, menor de idade.

E assim eram todos os dias que nós viajávamos de trem. Chegamos ao ponto de presenciar uma briga de casal. O que seria natural se não fosse a destilação de ódio e ressentimentos misturados aos gritos e pancadaria em público. O marido rasgou todas as peças da esposa, até deixá-la somente de calcinha. A cada ausência de roupas havia um coro dos passageiros:

     – Tira, tira, tira a roupa da vagabunda, deixa ela pelada.

Nós, os amigos inseparáveis, alternávamos em nossas mentes, o desejo de ter aquela mulher em nossos braços, tirando enfim, a nossa virgindade e quão era absurda e indigna aquela cena. Todos os dias tínhamos algo para contar no pátio da escola. Nossos amigos nos aguardavam ansiosos movidos à pipoca, refrigerante e pão com ovo – a única coisa que dava pra comprar, todo mundo se virava nos trinta – como se fosse uma sessão de cinema. Viramos uma atração, éramos os tais com bebida e comida de graça – maravilhoso, pois muitas vezes não tínhamos o que lanchar na parte da tarde.

     Naquele ano, na última semana de aula, aconteceu o fato marcante. Como de costume, embarcamos em Madureira e minutos depois, estávamos na estação seguinte: Cascadura. De repente ouvimos aquela voz sensual e grotesca pelos alto-falantes:

     – Permaneceremos parados por mais alguns instantes por problemas no ramal da Central do Brasil.

Todos ficamos apreensivos e desviamos ao mesmo tempo nossos olhares para um ceguinho que passava pela nossa frente. Muito simpático, de bengala e óculos escuros, sacudia uma latinha com moedas na mão esquerda. O cego caminhava lentamente pelo vagão dizendo:

     – Uma ajuda pelo amor de Deus, não posso trabalhar, ainda não comi nada hoje.

Fugindo ao meu costume, de não ceder aos sentimentos, apressei-me em retirar duas ou três moedas do bolso para depositar naquela latinha que fazia um barulho infernal ao ser balançada, para o espanto de Júlio e Carlos que debochadamente disseram:

     – Viu só como é bom ajudar as pessoas de vez em quando!

Segundos depois, a surpresa fatal que me conduziu a não repetir esta ação até os dias de hoje. O senhor, que aparentemente precisa trabalhar e comer, olhou para o lado da porta que permanecia aberta, abaixou os óculos e disse para o menino que o acompanhava: “ Cacete! Estamos em Cascadura. Vamos filar a bóia na casa da tua avô”. Seria normal se ele não tivesse lido a placa fixada em frente à porta do trem com o nome da estação. E o que é pior, fui traído pelo sentimento: “Quem vê cara, realmente, não vê coração”.

 Jorge Castro

EDITORIAL

CASO ISABELA, UMA ANÁLISE OBJETIVA DOS FATOS

 

         Desde a data do suposto crime de Isabela, em São Paulo, a população, as autoridades responsáveis e a mídia vêm apresentando um comportamento único subjetivo, condenando, antecipadamente, os suspeitos da autoria do crime. Todos sabemos que o fato deve ser apurado com isenção e os supostos culpados devem ser, primeiramente, julgados, e se condenados, punidos de acordo com o rigor das leis vigentes no país. Não podemos retornar a era da Idade Média, onde não havia princípios de defesa ou julgamentos isentos e as condenações eram baseadas, apenas, em suposições ou hipóteses sem provas concretas.

          Um dos princípios básicos do Direito Penal Brasileiro é a presunção de inocência. Enquanto houver possibilidade de recorrência em um processo, o réu é considerado inocente. Ou seja, até que saia uma sentença penal condenatória, o processo está em trânsito. A sociedade, sedenta de justiça, não só para este caso, mas para outros que não obtiveram os resultados esperados por ela, principalmente, no campo político, é facilmente influenciada pelos formadores de opinião e representantes legais do Estado que fazem declarações à imprensa esquecendo-se dos códigos de ética aprendidos nas carteiras das faculdades. Tudo em troca dos holofotes.

          Alguns programas vespertinos de entretenimento não possuem intimidade com o Direito Penal. Tais meios de comunicação execram, em público, não só os envolvidos, como também seus familiares e amigos. Ferindo, assim, outro princípio básico da nossa sociedade, o da inviolabilidade da intimidade e da honra do cidadão. É bom lembrar que, a Constituição garante o direito à indenização por dano moral ou material decorrente de sua violação.

          Não podemos esquecer que a função da imprensa é a de apurar com exatidão e transmitir periodicamente as informações ao público. Direito garantido também pela Constituição. A liberdade de expressão é garantida por lei, assim como, o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas obviamente, as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Cabe a imprensa combater com veemência e denunciar quaisquer tipos de crimes sem se submeter a perseguições que possam levar ao desequilíbrio, o princípio da igualdade ou da isonomia, onde, independente de raça, credo, sexo, ideologia política ou quaisquer outros segmentos da sociedade, as leis são aplicadas a todos.

Jorge Castro

RESENHA CRÍTICA

DO TEXTO

“CRIATIVIDADE E PROCESSOS DE CRIAÇÃO”

 De Fayga Ostrower

 

     O autor descreve que as formas de percepção do homem com relação ao que acontece ao seu redor não são gratuitas. Pelo contrário, são consequências da integração dos seus conceitos, expectativas, interpretações e necessidades. Suas exteriorizações são intuitivas, e à medida que o homem as configura, ou seja, dá forma a elas, tornam-se conscientes. Essa sua capacidade de perceber, o torna um “buscador” de soluções para o hoje e um pré-visualizador de futuras soluções nos campos científico, cultural e social. E, é capaz de produzir ações, independente, de se deparar com situações concretas. Ou seja, ele é capaz de imaginar, criar uma situação ou propor uma solução para um fato imaginado. Existe uma intencionalidade nestas produções de ações (criações), não é por acaso. No subconsciente existem as mais variadas opções de escolha. Fayga Ostrower entrelaça a escolha destas opções à consciência e sensibilidade, heranças biológicas transmitidas por meio de gerações, e à evolução social do homem por meio das culturas que também são transmitidas pelas gerações. O homem é produto do meio que vive. Ele aprende e cria suas referências, originando assim, sua subjetividade, refletindo seu grau cultural e revelando enfoques diferentes sobre determinados temas. Já a cultura guia o indivíduo no caminho da formação. Quanto mais aculturado, mais sensível, exigente e seletivo ele se torna, segundo Fayga: “ao aprender o mundo, o homem aprenda também o próprio ato de apreensão, permite que, aprendendo, o homem compreenda” (Pág. 13).

     Ostrower descreve também sobre o poder do homem em guardar o instante como uma extensão do passado e utilizá-lo num futuro inesperado. As lembranças de experiências passadas são usadas nas tomadas de decisões do seu cotidiano. Isto, graças ao que ele chama de memória cujos processos se dão baseados nos acontecimentos passados que remetem a algum resultado sentido pelo homem. Eles não são apenas aplicações de conceitos e significados. Ao expor estes sentimentos que advêm do mundo imaginativo e interagem com experiências passadas, o autor chama de associações.  Elas nos remetem ao mundo da fantasia, permitida por meio da nossa capacidade mental de associar, criar, perceber e manipular sem precisar de um campo físico para colocar em prática a ação. Estas associações são transformadas no nosso consciente em falas silenciosas, expressando os conceitos culturais adquiridos pelos indivíduos, tendo a língua como suporte. O ato de falar representa dar significado, ou seja, a palavra atua como signo e símbolo. De acordo com Fayga, o homem, diferentemente dos animais, é capaz de fragmentar situações globais, observando e relatando aspectos que compõem um cenário apresentado. Deste modo, pode montar uma nova situação com novos atores, interpretando e aplicando estes conceitos fragmentados, extraídos do contexto original. “Por exemplo, eu poderia encontrar uma pessoa na rua e nesse encontro notar certos detalhes, o tom de voz, determinados gestos, olhares, a roupa, a pressa com que caminha, ou outros aspectos isolados; talvez tais aspectos tornem o encontro significativo num sentido inteiramente imprevisto. Isto está fora das possibilidades dos animais, que reagem a situações globais concretas”, (pág. 23). Entretanto, devem-se levar em consideração as diferentes culturas e formas de expressão linguísticas, daí a dificuldade de traduzir um conteúdo sem que se perca o seu significado maior.

     Para Fayga Ostrower, o homem possui outras configurações de comunicação, além da língua: as formas. Tais como a pintura, a arquitetura, a música e a dança que expressam significados oriundos das suas relações internas com o mundo exterior. Elas retratam uma subjetividade que é externada para análise e julgamento da sociedade. O  capítulo é finalizado com uma referência  ao potencial criador do homem que está ligado ao seu meio cultural, desde a sua origem como indivíduo, até os conceitos absorvidos ao longo da sua vida, representando assim, sua visão do mundo. Entretanto, a tensão psíquica do individuo pode interferir na capacidade racional de expressar uma criação.

     Numa linguagem coloquial, Fayga Ostrower, descreve os fatores pertinentes ao processo de criação.  A coesão textual e gramatical aliadas ao conhecimento profundo sobre o tema torna a leiturabilidade mais dinâmica e de fácil assimilação. Entende-se que para um processo de criação, há que se levar em consideração a essência do criador e suas relações com o universo. A obra criada nada mais é do que a exteriorização dos sentimentos incorporada ao conteúdo cultural de quem a concebe.

Jorge Castro

 

CRÔNICA

A GAFE E A KATIACHA

       Meus queridos amigos, todos sabemos que um jornalista, além de ter a obrigação de escrever bem, deve se preocupar com o sentido das palavras, e principalmente, com as suas pronúncias corretas. Digo isto sem constrangimento algum.

      Durante o ensaio da Unidos da Tijuca, após ingerir vários  líquidos contidos nas latinhas de Cintra, me dirigi à deusa da passarela, Carol Crespo, como a maior rainha de todos os tempos do carnaval. E em seguida, aos simples mortais, admiradores da sua beleza e simpatia, como súbitos ao invés de súditos. E isso aconteceu entre amigos de várias gerações. Evidentemente, para quem ouviu, permaneceu no ar uma grande dúvida. Ele sabia ou não o que queria dizer?  Será que a Dona Cintra é, realmente, a ré. Responsável pela agressão aos ouvidos luso-brasileiros?
      Mas, para esclarecimentos, lá vai: com relação ao imprevisto, inesperado, repentino e improvisado momento, se aspirássemos um sinônimo, aí sim, caberia a palavra súbito. Ao contrário do que este humilde ser quis discorrer, referindo-se aos vassalos, feudatários ou simplesmente admiradores de uma mulher que expressa a síntese das maiores e melhores qualidades humanas. Neste caso, me considero sim, um simples súdito.
      Esclarecimentos devidos, alguns ícones da mídia já realizaram confusões semelhantes. O rei da comunicação, Boris Casoy, a embaixadora das entrevistas, Marília Gabriela (cuidado, embaixatriz é a esposa do embaixador) e o príncipe global Willian Bonner já entraram neste grupo de trocadilhos. E nós, simples mortais, enroscados de katiacha ou Dona Cintra, entre amigos, sem quaisquer preocupações,  também entramos nele. Afinal, ter outro Ibrahim Sued nestes tempos modernos é um pouco demais… e vou em frente com os súbitos deslizes diante dos súditos da rainha, porque parar de beber é que eu não vou. Beijos para todos…
“E olho vivo porque cavalo não desce escada”.

Jorge Castro

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14 comentários

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  3. […] 23 23UTC Junho 23UTC 2010 por jcastrorio      Copa do Mundo! O Brasil está vestido de verde e amarelo e a população não tem o que vestir. Aliás, não tem o que comer, não tem hospitais, não tem creches, não tem salários dignos, não tem nada, além de esperanças depositadas em 11 jogadores de futebol correndo atrás de uma bola e um arrogante, pretensioso, intolerante e despreparado técnico e ser humano. Estes ídolos, que em sua maioria não possuem curso superior como a maioria da população brasileira, ganham milhões, milhões e milhões, ao contrário dos seus milhões e milhões de fãs. Leia a crônica na integra em https://jcastrorio.wordpress.com/cronica-editorial-contos/ . […]

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