JORNALISTA JORGE CASTRO

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OPORTUNISMO POLÍTICO

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    A eleição é uma avaliação qualitativa onde elegemos representantes para assumir cargos públicos. Assim, afirmamos que eles são os mais bem preparados dentre todos, de acordo com os nossos pré – conceitos. A presidente Dilma foi legalmente eleita para exercer seu mandato até o final. Portanto, qualquer tentativa de impeachment é, meramente, uma ação oportunista de se chegar ao poder golpeando o exercício democrático da maioria da população que a elegeu.

     O sentimento de defesa do mandato independe da ideologia do grupo político que foi eleito. Mesmo que não concordemos com as ideias apresentadas, quando nos colocamos diante de um fato ou situação e o relatamos como ele o é, esta versão é a verdade. Ela também pode ser deturpada voluntariamente, corrompendo a verdade, ou seja, transformando-se em uma mentira. Por outro lado, ela também pode ser erroneamente interpretada por pontos de vistas individuais, ingênuos ou desinformados – neste caso, facilmente manipulados.

     Manifestações são saudáveis para que os inquilinos do poder tenham sempre em mente que eles estão no poder, eles não são o poder. Certa vez, em seu discurso, Juscelino Kubitschek ressaltou, após ser vaiado: “feliz é o povo que pode vaiar seu presidente”. Em seguida, foi aplaudido de pé. Alguns formadores de opinião andam descrevendo que “panelaço” é coisa de elite branca da varanda gourmet. Penso que eles deveriam se envergonhar de suas pautas, pois estes cidadãos que participam dos “panelaços” são os que costumam dar audiência aos seus programas, e possivelmente, em um ato racional, podem começar a ficar irritados com estas declarações.

     Povo brasileiro, cuidado com o que querem que você acredite. Já vimos várias vezes este filme. Em 1961, com a renúncia do presidente eleito pelo voto direto, Jânio Quadros, o país, por meio indireto do Congresso Nacional, instituiu o sistema parlamentarista, onde o presidente João Goulart tomou posse, preservando a ordem constitucional, mas parte de seu poder foi transferida para o primeiro ministro Tancredo Neves, chefe de governo. Logo em seguida, o sistema foi rejeitado pelo povo por meio de um plebiscito, restaurando-se o presidencialismo.

     Em 1964, os militares depuseram João Goulart e instauraram o regime militar que permaneceu ate 1979 com eleições indiretas, sem a participação popular.

    Em 1990, com o retorno da democratização e eleições diretas, assumiu a presidência, eleito pela vontade popular, sob a manipulação e edição das informações, Fernando Collor.

   A alternância entre os sistemas e formas de governo é, mesmo apresentando características antagônicas, o reflexo da pressão popular, filtrado pelas elites para que não percam o poder. Mesmo na democracia direta e constatada na indireta ou representativa, existe um abismo entre a teoria e a prática do conceito de que: a política é a arte de governar sobrepondo-se os interesses públicos, aos privados.

     Portanto, independente de concordar ou não com as ações tomadas pelo grupo político atual, devemos estar bem antenados para que os oportunistas de plantão que se vestem de cordeiro para sobreviver, não utilizem o povo, mais uma vez, como massa de manobra, repetindo a parafernália do impeachment mais recente da nossa história. É bom ter em mente que o melhor detergente que há no mundo é o sol. E cuidado, algoz de político corrupto não é outro político, é a manifestação do voto decidindo a alternância de poder.

Jornalista Jorge Castro

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