JORNALISTA JORGE CASTRO

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ESCOLA DE SAMBA DO RIO É PATRIMÔNIO DO POVO

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        Passado o calor da apuração dos desfiles das escolas de samba e observados os posicionamentos das torcidas, dos intérpretes, diretores, carnavalescos, comentaristas e presidentes das escolas, é cada vez mais presente a sensação de que quanto mais se conhece os fatos, mais chances temos de entendê-los e não repeti-los num futuro próximo. Ou seja, tudo fica como está até a hora que se resolve mudar. Todos sabemos que não existe campeã antes da apuração e que favoritismo pode atrapalhar mais do que ajudar. Além disso, os seres humanos são diferentes, agem diferentes e pensam diferentes uns dos outros, portanto ideias que se transformam em pensamentos e são materializadas em fantasias e carros-alegóricos podem não ser bem entendidas por um grupo de pessoas denominadas de jurados. Apesar de serem representantes da aclamação popular de foliões que prestigiam e gastam antes, durante e depois do carnaval, sendo os únicos que não podem ser decepcionados, traídos ou enganados, caso contrário, não há espetáculo, julgamento e campeã, parte desses julgadores comporta-se como a maioria dos políticos brasileiros, uma vez eleitos para representar a vontade popular, colocam suas concepções e percepções individuais acima do conhecimento vulgar – obtido na vida cotidiana, fundamentado nas experiências vividas do dia a dia e passado de geração para geração.

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     Hoje, presenciamos uma verdadeira guerra fria, subliminar ou porque não dizer, direta e objetiva também, entre torcedores e admiradores das agremiações. Uma competição de “buracos” e “correria” que poderia até ser premiada na quarta-feira. Ao contrário do que se via nas décadas de 80 e 90, quando os dirigentes externavam seus sentimentos com ânimos exaltados, lágrimas nos olhos e desabafos – muitas vezes exagerados – hoje, compreensíveis diante dos resultados apresentados, uma espécie de conformismo educado que pode ser traduzido como politicamente correto. Com a rara exceção da primeira colocada, cujos componentes e dirigentes sempre manifestam o ontem, o hoje e o possível futuro com retidão de sentimentos.

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     Patrocínios são questionados como justificativas de belas ou péssimas performances, e com toda imparcialidade que me cabe neste momento, se for para questionar, devemos começar pela origem de todos os patrocínios, desde os primórdios dos anos 30. Governos, militares, instituições públicas, contraventores e iniciativa privada financiaram e ainda continuam financiando muitos carnavais. Não podemos ter dois pesos e duas medidas. Evidentemente, que não estão em discussão as máculas de um ditador e o sofrimento de um povo explorado, embora rico culturalmente. Aliás, situação muito similar a que vivemos aqui no Brasil, guardadas as devidas proporções. Afinal, a verdade tem várias versões e é completamente mutável, dinâmica.

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     Comentaristas cometem excessos ao discorrer sobre possíveis erros de uma única escola, sempre batendo na tecla de que os jurados vão retirar décimos preciosos. Artistas que, comprovadamente só frequentam as quadras, ás vésperas do carnaval, posicionam-se como defensores dos fracos e oprimidos, defendendo “suas escolas” como as únicas a possuir uma harmonia impecável ou serem detentoras de uma comunidade presente aos ensaios. Ora, ora, todas as comunidades se fazem presentes aos ensaios, exaustivamente. Todos os presidentes de harmonia são dedicados e trabalham – repito – exaustivamente para  apresentarem no dia do desfile a tão sonhada perfeição.

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     O fato é que a manifestação de opiniões e pontos de vista são extremamente importantes para o aprimoramento do maior espetáculo do mundo ao ar livre. A discordância é saudável e promissora, pois o silêncio é uma covardia característica dos fracos, dos facilmente sugestionados. Todas as escolas apresentam carnavais subjetivos, baseados nos aprendizados acumulados por seus mentores ao longo de suas vidas, entretanto são instituições sólidas, comprometidas com suas comunidades – os homens passam. Todas merecem nosso respeito e admiração, independente de apoiarmos ou não o resultado final. Todas manifestam um hiato popular momentâneo do inconsciente cultural coletivo.

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        Enredos afros são apresentados com grandiosidade e criatividade, carnavalescos são homenageados, águias são apresentadas como redentoras da cidade, padrões de beleza pré-determinados são debochadamente criticados, mulheres são homenageadas com muito samba no pé e canto no gogó, sabores e delícias deixam os olhos embargados, cartas tornam-se objetos de comunicação e desejos são realizados no último dia da existência humana. Aproveitando, gostaria de saber onde está a imoralidade dos peladões que se apresentaram dentro do contexto do enredo? Amanhã é outro dia, pode chover e o telhado de vidro pode estar quebrado.

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        Por fim, para que estes “insights” – intuições transformadas em grandes ideias – sejam julgados com a parcimônia da isenção, é necessário maturidade e respeito aos resultados apresentados, tendo como esperança um próximo ano de disputa acirrada, cheio de emoções, discordâncias e novas campeãs morais e de fato! O sucesso é a consequência da capacidade de desejar, realizar, transformar, vencer obstáculos e mudar pensamentos.

Jorge Castro

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