JORNALISTA JORGE CASTRO

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INTERNET, REDE E CAMPO VIRTUAL-O CAMINHO DA INFORMAÇÃO

     É possível então que haja uma alternativa de difusão das informações sem interferências? Pode-se encontrar um meio de propagação dos fatos como eles realmente os são? Antes de entrar nesta possibilidade, cabe ressaltar que quando nos deparamos diante de um fato ou uma situação e o relatamos como ele o é, esta versão é a verdade que pode ser deturpada voluntariamente, transformando-se em uma mentira. Ela também pode ser interpretada de acordo com a ausência de pré-formações e pré-conceitos dos indivíduos ingênuos ou desinformados.

     Em quase 200 anos, a humanidade passou por um processo de avanço tecnológico sem precedentes na história. Depois da prensa de Gutemberg, o aparecimento do telégrafo, o surgimento do telefone, a captação de sons, a captação de imagens em repouso, transformando-as em movimento, a introdução das cores, a chegada do rádio e da televisão, as sociedades se aproximaram, os cidadãos se informaram e os acontecimentos, as culturas adversas e as informações se alastraram pelo mundo.

     Mas, para a filósofa e professora da Faculdade de Letras e Ciências Humanas da USP, Marilene Chaui (2000), apesar de nossa sociedade receber diariamente um complexo de informações advindas de revistas, jornais, TVs, fotografias, rádios, vídeos, teatro, cinema e computadores é muito difícil despertar na sociedade a aspiração pela procura da verdade. Isto se dá exatamente pelo grande número de veículos que difundem as informações. As experiências vividas pelas pessoas são menores do que a quantidade de informação recebida ao mesmo tempo, o que não permiti que ela consiga avaliar o que recebe.

     Bastaria, no entanto, que uma mesma pessoa, durante uma semana, lesse de manhã quatro jornais diferentes e ouvisse três noticiários de rádio diferentes; à tarde, freqüentasse duas escolas diferentes, onde os mesmos cursos estariam sendo ministrados; e, à noite, visse os noticiários de quatro canais diferentes de televisão, para que, comparando todas as informações recebidas, descobrisse que elas “não batem” umas com as outras, que há vários “mundos” e várias “sociedades” diferentes, dependendo da fonte de informação. (CHAUI, 2000:113).

      A partir de 1969, época da guerra fria entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética, surgiu uma rede nacional americana de computadores criada pelo Advanced Research Projects Agency (Arpa – Agência de Pesquisa e Projetos Avançados), órgão ligado ao Departamento de Defesa americano que objetivava construir um mecanismo de comunicação em caso de ataque por outro país. Este foi o início da construção de uma estrutura que culminou com um ambiente virtual que permite a produção e distribuição de informações sobre todos os setores da sociedade, de interesses individuais ou coletivos: a internet.

      Para Pollyana Ferrari (2004) a internet não é acessada por todas as camadas da sociedade em nenhum país, apenas as classes A e B, que possuem poder aquisitivo para comprar um computador, é que têm acesso a este meio de propagação da informação, mas reconhece sua importância como mídia de massa ao citar o episódio dos atentados de 11 de setembro, nos Estados Unidos, quando a cobertura on-line alcançou recordes de acessos em todo o mundo. Atualmente, este sistema de universalização do conhecimento adquiriu proporções que permitem à sociedade o acesso à informação. “Uma rede sem chefes ou governos, uma teia viva e sem censura – a grande saída para o mundo pós-guerra fria” (FERRARI, 2004:10).

      Esta rede, compreendida por cabos, tela, teclado, mouse, programas para permitir o acesso, provedores, navegadores, softwares, satélites de comunicação, indivíduos e instituições, é apresentada por Dênis de Moraes (2003), como conexões que podem atuar taticamente como instrumentos de denúncia, resistência e pressão contra o que os grandes grupos disponibilizam para o público. Ela institui relações mais horizontalizadas, abertas ao pluralismo político-cultural e com isso, dilui a hierarquização do poder. A internet com seu baixo custo e rapidez é uma alternativa a difusão de informações e conhecimentos com a vantagem de não submetê-los aos filtros ideológicos hierárquicos dos grupos multimidiáticos. Este canal público, desterritorializado não possui mecanismos de controle e nem legislação específica. Entretanto, Dênis ressalta que a internet não substitui as ferramentas tradicionais da comunicação. “A megarrede prefigura-se como um ambiente complementar de divulgação e politização, somando-se a comícios, passeatas e assembléias, bem como aos meios de comunicação comunitários” (MORAES, 2003:211).

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