JORNALISTA JORGE CASTRO

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GRUPOS MULTIMIDIÁTICOS-O PESO DO CAPITAL ESTRANGEIRO

     De acordo com Philippe e Proulx (2002), os meios de comunicação são formas que os seres humanos desenvolveram para transmitir suas mensagens. Em um meio, o mesmo código é utilizado pelos emissores – grupos de multimídia – quanto pelos receptores – a sociedade – possibilitando o entendimento dos sinais que são transmitidos de forma expressiva, argumentativa e informativa através de suportes gestuais, orais, visuais e escritos[1].

      Segundo Dênis de Moraes (2003), nunca houve na história da humanidade tanta informação, imagem e som. Mas quem define a disseminação destes bens simbólicos são os grandes grupos multimidiáticos que defendem interesses próprios e de seus anunciantes. Os meios são tão poderosos que têm a capacidade de construir ou destruir retóricas que podem colocar abaixo quaisquer contradições. Eles difundem-se na busca de novas visibilidades vendendo seus produtos e os dos seus anunciantes. Para isso, é necessário o uso de uma linguagem que é o meio simbólico essencial de um código operacional de comunicação que ativa a imaginação dos indivíduos. Esta linguagem baseia-se em signos e representações que traduzem a realidade do pensamento dos discursos necessários às relações sociais estabelecidas entre os que transmitem as informações e os que as recebem. Ainda, segundo o autor, as estruturas de mídia exercem o seu poder de forma hegemônica:

 

(…) a mídia global está na mão de duas dezenas de conglomerados que monopolizam a propriedade de estúdios, produtoras, distribuidoras e exibidoras de filmes, gravadoras de discos, editoras, parques de diversão, TVs abertas e pagas, emissoras de rádio, revistas jornais, serviços on line, portais e provedores de internet, vídeos, videogames, jogos, softwares, CD-ROOMs, DVDs, equipes esportivas, megastores, agencias de publicidade e marketing, telefonia celular, telecomunicações, transmissão de dados, agências de notícias e casas de espetáculos. (MORAES, 2003:198).

    

     As receitas anuais das 220 maiores corporações globais, orçadas em US$ 7,1 trilhões, equivalem à riqueza combinada de 80% da população mundial. As matrizes de tais corporações localizam-se nos oito países do G-8. Em um contraste chocante empregam apenas 1% da população[2].

     Sendo assim, neste sistema de transmissão de informações, a internet pode ser uma alternativa contra-hegemônica na divulgação de conteúdos que sejam de interesse coletivo.

     Teríamos uma sociedade mais justa, sem fronteiras sociais ou geográficas. A informação poderia ser propagada livremente. Acreditei que, com pouco investimento do governo, muito menos do que se gasta com campanhas políticas, o microcomputador chegaria aos lares, ao correio, às escolas públicas e às favelas, como ocorreu com o advento da TV nos anos 50. E, para uma rápida aceitação do mercado, teria um preço subsidiado para que todos tivessem acesso à Internet e às bibliotecas de informação disponíveis gratuitamente na rede. (FERRARI, 2004:10).

 

     Em 2002, uma proposta de Emenda Constitucional (05/2002), modificando o art. 222 da Constituição da República, permitindo a participação de capital estrangeiro em empresas de jornais, revistas e emissoras de rádio e TV, foi promulgada pelo Congresso Nacional. Atualmente, o capital estrangeiro pode ter até 30% do capital de empresas jornalísticas e emissoras de rádio e TV, incluindo o direito a voto nas empresas de comunicação. A proposta aprovada ainda permite que pessoas jurídicas assumam o controle acionário das empresas. No caso da televisão digital via satélite, não há uma legislação específica até o momento.

     De acordo com as pesquisas realizadas pela revista Meio & Mensagem, 19 empresas controladas total ou parcialmente pelas grandes multinacionais atuantes no Brasil (Aegis, Dentsu, Havas, Interpublic, Omnicom, Publicis e WPP) responderam por um terço de toda a compra de mídia no mercado interno em 2008[3].

     Entretanto, o peso do capital internacional nessa elite do mercado publicitário do País é ainda maior, já que não estão consideradas nesses cálculos as agências nas quais as holdings globais têm participação minoritária – casos de Neogama/BBH (a rede inglesa do Grupo Publicis tem 40% de participação), Master (49% das ações estão nas mãos do WPP) e DCS (que também tem o WPP como sócio minoritário). Além disso, há presença estrangeira também fora da lista das 50 maiores, como na PeraltaStrawberryFrog, SantaClaraNitro e M&C Saatchi (inaugurada no Brasil neste ano).

     Agências com capital 100% nacional são raridade no topo de Agências & Anunciantes. Entre as dez maiores de 2008, apenas a Africa é 100% nacional – desconsiderando-se aqui a pequena participação da rede DDB, do Omnicom, na composição acionária da holding ABC. Do 11o ao 20o posto aparecem outras quatro nacionais: Talent, PPR, Fischer+Fala e Propeg[4].

     A concentração de conteúdos informativos em grandes grupos midiáticos reduz a participação de empresas nacionais menores. Nestor Garcia Canclini (2002) atribui ao desequilíbrio social e econômico entre os países que não possuem investimentos nas áreas de pesquisa, tecnologia, educação e cultura (latino-americanos) e os que possuem com um predomínio financeiro e ideológico, a redução da competitividade global e a difusão cada vez menor dos conteúdos culturais locais[5].

     Na análise feita por Darcy Ribeiro, em 1995, um país como o Brasil, com dimensões continentais onde vários povos se formaram ao longo do tempo, cada qual com suas características econômica, social e cultural, deveria ter resultado na formação de várias nações. Mas, contrariando a história não houve uma dissolução e sim uma aglutinação heterogênea de hábitos, costumes, e ideologias.

     Todo esse processo se agrava, movido em nossos dias pela força prodigiosa da indústria cultural que, através do rádio, do cinema, da televisão e de inúmeros outros meios de comunicação cultural, ameaça tornar ainda mais obsoleta a cultura brasileira tradicional para nos impor a massa de bens culturais e respectivas condutas que dominam o mundo inteiro. Nós que sempre fomos criativos nas artes populares e de tudo que estivesse ao alcance do povo-massa, nos vemos hoje mais ameaçados do que nunca de perder essa criatividade em benefício de uma universalização de qualidade duvidosa. (RIBEIRO, 1995:263).

     Em síntese, há uma necessidade de integração entre as diversas regiões não só do Brasil, como de todos os outros países, para que os indivíduos possam tomar conhecimento da realidade e não apenas do que é de interesse dos grupos midiáticos divulgarem. A Internet e a inclusão digital podem ser atores de suma importância no cenário do desenvolvimento de fontes independentes de informações para os cidadãos. E assim, dirimirem as diferenças sociais por meio do avanço cultural.

 [1] Extraído de Betron, Philippe e Proulx, Serge: L’Explosion deLa Communication à L’Aube Du XXl éme Siècle, Éditionsla Decouvert, 2002, (cap.2: “A Conformação da Palavra, p. 40-45).[2] Ver José Luis Fiori. 60 lições dos 90: uma década de neoliberalismo. Rio de Janeiro: Record, 2001, p.26 Atílo A. Boron. Império e imperialismo, ob. cit, p.47.[3] Extraído de http://www.mmonline.com.br/noticias.mm?url=Cresce_a_fatia_internacional_na_publicidade_brasileira. Acesso em 11/10/2010.[4] Extraído de http://www.mmonline.com.br/noticias.mm?url=Cresce_a_fatia_internacional_na_publicidade_brasileira. Acesso em 11/10/2010.[5] Ver Nestor Garcia Canclini, Latinoamericanos buscando lugar em este siglo. Barcelona: 2002, p.55.

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